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Beijos!
PAUTAS GERAIS DE TRATAMENTO
Gema López Pérez
Carmen Monsalve Clemente
Centro Leo Kanner (APNA) - Madri
ASPECTOS QUE EDUCADORES E PAIS DE MENINOS COM X FRAGIL DEVEM CONSIDERAR
1-. Contato ocular.
A aversão inicial a estabelecer e manter contato ocular deve-se à hipersensibilidade a estímulos sensoriais e, em alguns casos, à desconexão com o meio.
Apesar deste ser um fator fundamental para o acesso ao aprendizado, não se deve obrigar a criança a nos olhar diretamente nos olhos, devendo-se , antes, que o faça de forma indireta através de jogos interativos ou atividades que sejam bastante motivadoras. Por vezes constatamos que existe algum tipo de resposta, mesmo que ela não esteja nos olhando.
2-. Problemas de integração sensorial.
A criança apresenta dificuldades para organizar e entender os estímulos do mundo externo, sejam eles auditivos, táteis ou visuais. Por isso, devemos controlar os estímulos aos quais está exposta : ruídos, música, cores, luzes ou contato físico, especialmente quando são novos para ela , e ir introduzindo-os em suas atividades paulatinamente. Essa rejeição inicial não nos deve levar a pensar que ela não vai desfrutar dessa atividade ou desse estímulo depois que estiver familiarizada com ele.
3-. Necessidade de estruturação e antecipação.
Dada sua dificuldade para se organizar e, portanto, para planejar suas atividades, é importantíssimo oferecer um ambiente estruturado e previsível. À medida que a criança vai conhecendo as características desse ambiente será possível antecipar o que vai ocorrer , tornando menos provável a rejeição das atividades que forem propostas.
4-. Uso de material gráfico.
Reter a informação puramente verbal é difícil. Por isso, devemos apoiar-nos em material gráfico (fotos, desenhos ou pinturas), que tem uma continuidade no tempo e no espaço, como instrumento básico para o ensino. Com ou sem linguagem verbal, esse material é uma ferramenta valiosíssima para a criança estruturar seu tempo e se comunicar, seja para pedir algum objeto , para pedir que se faça algo ou para comentar algo que tenha acontecido.
Por exemplo, podemos fazer o planejamento do dia no colégio mediante uma seqüência de fotos ou de desenhos que mostrem as diferentes atividades que vão ser realizadas.
5-. Atenção e Concentração.
Sua atenção é inicialmente débil e a quantidade de estímulos que lhe parecem interessantes é reduzida porque sua capacidade de se concentrar numa tarefa é mínima. Deve-se partir dos estímulos que lhe parecem atraentes para começar a trabalhar, sendo assim possível aumentar os períodos de atenção. Pouco a pouco deve-se introduzir estímulos novos, intercalando-os com outros já conhecidos e motivadores. Em um primeiro momento, o tempo dedicado a cada atividade deve ser muito reduzido sendo aumentado progressivamente. Deve-se permitir momentos de descanso entre uma atividade e outra.
Em função dessas dificuldades da atenção, deve-se limitar também as distrações ambientais, sem que isso implique um empobrecimento do ambiente.
Para aumentar os períodos de atenção e concentração podem ser úteis os exercícios prévios de integração sensorial , que englobam tanto atividades de motricidade grosseira (das quais a criança participa ativamente deslocando objetos pesados, saltando etc.) como atividades de organização sensorial (massagens, pressão nas articulações etc.) realizadas pelo professor.
6-. Movimentos estereotipados.(abanar as mãos)
Podem estar relacionados com a ansiedade ou com a falta de sentido das próprias ações da criança. Não devem ser atacados diretamente , a menos que constituam um perigo físico. Irão diminuindo à medida que a criança se veja envolvida com atividades funcionais e motivadoras e na medida em que sua vida vá se tornando mais cheia de sentido. No entanto, muitas vezes estão fortemente arraigadas e, além disso, deve-se levar em conta que cumprem uma função de descarga de ansiedade.
7-. Hiperatividade.
Está diretamente relacionada com os problemas de atenção e concentração e há um período de particular intensidade na primeira infância. O exercício físico freqüente, especialmente os jogos aquáticos, brincadeiras com movimentos , passeios etc., contribuem para acalmar a criança de maneira significativa. À medida que vai adquirindo pautas de atenção, sua hiperatividade será reduzida.
8-. Recusa sistemática diante de estímulos novos.
É provável que a criança se oponha, as vezes com muita angústia, a realizar uma nova tarefa, mesmo que esteja dentro de suas possibilidades. Sua ansiedade diminuirá se a nova atividade for apresentada inicialmente de forma gráfica. Deve-se manter uma atitude firme e carinhosa, porém insistindo-se para que realize os primeiros passos. Se isso não for feito, suas experiências ficarão seriamente limitadas. Uma vez vencido esse temor inicial , ela terá prazer em realizá-la.
9-. Comunicação e Linguagem
É fundamental que a criança se sinta inclinada a comunicar seus desejos e necessidades, independentemente da capacidade verbal que possua. As condutas de isolamento, quando existem, podem ser reduzidas oferecendo oportunidades para interações prazerosas (mediante atividades que se saiba serem do agrado da criança) e respondendo prontamente a seus sinais comunicativos, seja qual for o meio empregado.
Podem estar presentes dificuldades de diversas ordens no desenvolvimento da fala, o que faz com que, muitas vezes, a compreensão verbal seja muito maior que a capacidade expressiva.
Um dos desafios mais importantes que surgem quando essas crianças se põem a falar é o de planificar a seqüência de sons de maneira a formar palavras e frases (controle oro-motor voluntário) . Também existe dificuldade para pronunciar com clareza e falar em uma velocidade adequada.
Uma forma de ajudar é apresentar a informação de forma visual ou gestual , além de verbalmente, permitindo que utilizem todos esses meios para iniciar, manter e recuperar suas interações (aproximação multissensorial da comunicação).
Também é muito útil realizar tarefas de ritmo e imitação de movimentos com todo o corpo, movimentos que podem ser acompanhados por sílabas ou palavras.
A sucessão correta dos sons nas palavras também pode ser acompanhada de forma gráfica. Se a criança se comunica mediante palavras isoladas, pode-se marcar cada sílaba com um cartão ou com um determinado sinal gráfico (um adesivo, por exemplo) fazendo com que a criança vá apontando cada sinal à medida que pronuncia as sílabas.
Se ela não constrói frases de mais de uma palavra, pode-se ajudá-la a pronunciar a seqüência completa em uma velocidade adequada fazendo “trens gráficos de palavras”, colocando cartões (um para cada palavra) da esquerda para a direita.
Em estágios mais avançados do desenvolvimento da linguagem é provável que seja necessário ajudá-la a regular a rapidez e a aumentar a fluidez de sua fala.
Deve-se sempre estimular o uso adequado da linguagem em conversas, pois têm a tendência para não manter o tema sobre o qual está se falando ou a perseverar diante de determinados tópicos.
Apresentam freqüentemente problemas relacionados à mobilidade e tonicidade dos músculos oro-faciais, e podem manifestar uma certa hipersensibilidade nessa área. Em geral, mostram-se úteis os exercícios de lábios e língua, introduzidos , sempre que possível, no contexto de brincadeiras (encher bolas de gás, fazer caretas, fazer massagens no rosto enquanto canta alguma canção etc.). A excessiva sensibilidade na região deve ser vencida pouco a pouco. Tocar o próprio rosto e o interior da boca pode ajudar a criança a tolerar que outras pessoas o façam .
10. Habilidades de imitação.
Possuem boa capacidade de imitação, o que deve ser utilizada como instrumento de aprendizado, especialmente no que se refere à área social. Daí a importância de compartilharem atividades com outras crianças em situações normais.
São pessoas que, apesar de poderem apresentar condutas de isolamento e excessiva timidez, conseguem estabelecer vínculos afetivos fortes e estáveis com aqueles com quem convivem.
BIBLIOGRAFIA EM ESPANHOL
El Síndrome X Frágil. Material educativo de la Fundación Nacional del X Frágil de Estados Unidos.
Colección Rehabilitación. Ministerio de Trabajo y Asuntos Sociales. IMSERSO. Madrid 1997.
"Bem aventurados os que compreendem o meu estranho passo a caminhar.
Bem aventurados os que compreendem que ainda que meus olhos brilhem, minha mente é lenta.
Bem aventurados os que olham e não vêem a comida que eu deixo cair fora do prato.
Bem aventurados os que, com um sorriso nos lábios, me estimulam a tentar mais uma vez.
Bem aventurados os que nunca me lembram que hoje fiz a mesma pergunta duas vezes.
Bem aventurados os que compreendem que me é difícil converter em palavras os meus pensamentos.
Bem aventurados os que me escutam, pois eu também tenho algo a dizer.
Bem aventurados os que sabem o que sente o meu coração, embora não o possa expressar.
Bem aventurados os que me amam como sou, tão somente como sou, e não como eles gostariam que eu fosse."
* (Autor: Uma criança especial) *
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